terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Marcela Teixeira Barbosa: A sobreposição dos espaços em O Esplendor de Portugal


Edição Rocco, Brasil

Mais um cuidado artigo sobre o livro O Esplendor de Portugal recenseado hoje no site. É da autoria de Marcela Teixeira Barbosa, citado do blogue MartigoS.

«Acompanhados pela ironia de António Lobo Antunes, deparamo-nos, a cada releitura de O Esplendor de Portugal, com a possibilidade de olhar novamente para o período de decadência colonial português e em especial para A Guerra Civil angolana de 1975 a 2002. O romance, de estrutura psicológica e composto por quatro focos narrativos, conta a história da família de Isilda (uma das personagens e dos narradores) que, em meio a tantos problemas, como o alcoolismo, o adultério, a doença e o falecimento de entes queridos, se vê, devido à guerra, obrigada a se separar, tendo os três irmãos, filhos de Isilda, que fugir para Ajuda, em Portugal, e a mãe que permanecer na fazenda de Malanje junto aos seus empregados



domingo, 22 de Novembro de 2009

Dança o cão, dança o gato, dança o feijão carrapato

Crónica de 19 de Novembro, na Visão

«Diziam-me isto, em criança, e eu adorava. Voltou-me hoje à ideia, passado tanto tempo. Tanto tempo, uma ova: era menino, limitei-me a piscar os olhos e fiquei como agora. Entende-se a maldade? Eu não entendo. Piscar os olhos é um instantinho, que raio de merda aconteceu? Mascararam-me com rugas, cabelos brancos, vontade de ir mais cedo para casa. Brincadeira de mau gosto, a idade.»

ler + aqui

Baila o cão

Baila o cão
baila o gato
baila o feijão carrapato
carrapato, carrapatinho
baila mais um bocadinho*



Acabei mesmo agora de ler a crónica de A.L.A. desta semana na Visão (nº 872) com o título “Dança o cão, dança o gato, dança o feijão carrapato”.

Curiosamente, tendo lido outras até mais emotivas, mais despidas, mais cruas, esta ao fazer referência a esta cantilena de infância, despoletou em mim, tal como no autor, emoções deliciosas que me trazem as recordações de infância mas também a sensação amarga da consciência que temos do que o tempo fez de nós.

Os dois sentimentos e não só, estão aqui, como sempre magnificamente retratados nas palavras do autor.

Se puderem, não deixem de ler esta crónica.

* A título de ilustração do post, reproduzo a cantilena tal como a ouvia lá pelos meus sítios transmontanos.
A imagem consta de uma série daquelas que se recebem via e-mail de autor desconhecido.

Daniel Serrão e João Lobo Antunes receberam Prémio Pedro Hispano 2009


João Lobo Antunes e Daniel Serrão


Os médicos Daniel Serrão e João Lobo Antunes receberam sábado à noite, no Casino da Figueira da Foz, o Prémio Pedro Hispano 2009, atribuído pela Academia com o mesmo nome

Daniel Serrão, 81 anos, professor catedrático jubilado com mais de 300 trabalhos científicos publicados na área da Bioética, invocou a sua condição de «idoso» para referir, no discurso que proferiu, «não saber discernir» se merece o galardão.

«Onde apenas vejo a actividade natural de um simples professor, a Academia viu virtude e excelência», disse Daniel Serrão.

Acrescentou que os proponentes o colocaram «num pedestal de exemplaridade» no qual se viu «equilibrado com pés muito pouco firmes».

«E sempre em risco de cair dele abaixo», argumentou.

Já João Lobo Antunes, 64 anos, médico neurocirurgião e professor catedrático, lembrou aspectos da história de Pedro Hispano, «o médico que foi Papa» no século XIII.

«Foi considerado o pai da obstetrícia, actividade algo estranha para um pontífice», disse João Lobo Antunes.

Considerou «meros acidentes» todos os prémios que recebeu, ao longo da sua carreira de neurocirurgião, membro de 14 sociedades científicas internacionais.

«Nenhum terá sido merecido. Não fiz mais do que a minha obrigação como médico, investigador e cidadão», declarou.

O galardão, no valor de 25 mil euros, patrocinado pelo Casino da Figueira da Foz, tem por patrono Pedro Hispano, um médico que foi o único papa português, eleito em 1276, com o nome de João XXI.

Em 2008 a primeira edição do prémio distinguiu o professor José Vitorino de Pina Martins.

«Para memória futura o que [os galardoados] representam, pela sua vida e obra, faz parte, também, do património desta casa», disse o administrador do Casino da Figueira, Domingos Silva.

A Academia Pedro Hispano é formada pelo escritor António Lobo Antunes, os músicos Vitorino e Janita Salomé, José Ribeiro (editor da Portugália), Aires Nascimento (professor universitário de Letras), José Francisco Feição (das Edições Dom Quixote e secretário-geral da Academia) e os médicos José Manuel Franco e Henrique Bicha Castelo.

(Lusa)

citado do semanário Sol

mais detalhes sobre a gala de entrega do prémio, ler esta notícia d'O Figueirense

sábado, 21 de Novembro de 2009

José Alexandre Ramos: Memória de Elefante, a primeira angústia



O mais recente artigo sobre Memória de Elefante publicado no site, da minha autoria. É uma leitura revisitada.

«[...] trata-se de um livro bastante biográfico - um facto por todos reconhecido, incluindo o próprio autor - onde se torna difícil separar a ficção do realmente vivido (ou confessado em entrevistas pelo escritor). Conta um dia na vida de um psiquiatra desde que começa uma jornada de trabalho até à alvorada do dia seguinte, um homem angustiado por uma variada ordem de factores: a mal explicada separação da sua mulher e duas filhas, a frustração profissional no exercício da psiquiatria no mesmo hospital onde trabalhara o seu pai, a solidão e o desespero, o jogo como fuga à realidade, os fantasmas do passado (guerra e infância), a procura de uma voz para a sua escrita. Ou, em poucas palavras, a terrível procura de si mesmo. Nessa circunstância, o livro vai criando uma tensão à volta das indagações interiores do psiquiatra que se esgota nos dois capítulos finais


sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Alfredo Monte: Lirismo e realismo ao modo Lobo Antunes (sobre Auto dos Danados)


edição brasileira da Best Seller

O mais recente artigo sobre Auto dos Danados publicado no site, da autoria de Alfredo Monte, citado do seu blogue.

«Lobo Antunes, em Auto dos Danados (1985), [...] demonstra maior habilidade técnica, esmerando-se na construção do romance, apesar de manter o mesmo lirismo [...] Em Auto dos Danados, cujos acontecimentos principais transcorrem por volta da Revolução dos Cravos, as baterias do realismo grotesco de Lobo Antunes se voltam contra a alta burguesia que se beneficiou do regime de Salazar. E ela nunca entrou em decadência; ela é a própria decadência, pela sua ganância, pela sua falta de interesse público, pela sua depravação, equivalendo a uma casa apodrecendo ao som meloso de Roberto Leal tirolando “é uma casa portuguesa, com certeza”...


Pequenos petiscos

Mais uma pequena gulodice apenas para degustarmos pausadamente e reflectirmos um pouco.

Retirada da entrevista publicada na Visão nº 866 de 8 de Outubro.

Agora, que já li o livro há uns tempos, aprecio bem melhor estas afirmações do autor… E, em boa verdade, dão-me muito que pensar.

“… É evidente que estou dentro dele (refere-se ao livro, claro) e que, portanto, a minha visão será sempre parcial. Sinto, no entanto, que este é o livro onde cheguei mais fundo dos sentimentos e das emoções. Aquilo vem de regiões tão profundas que eu nem sei quais são.

Tchekov diz qualquer coisa como isto: desce, desce, desce até onde se encontram os outros e tu no meio deles.”

(Imagem daqui. "Shield Yorself" de Jennifer Khoshbin. Interessante procurar o intuito com que ela produz estas obras...)


terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Milu: opinião de leitura sobre Memória de Elefante



O mais recente artigo sobre Memória de Elefante publicado no site, da autoria de Milu, citado do seu blogue.

«A principal personagem desta narrativa é o próprio narrador, médico psiquiatra que após a separação da sua mulher e filhas, mergulha num estado depressivo profundo, chafurdando incessantemente e sem piedade nos recônditos da sua consciência, arrancando à memória tristezas do passado, remoendo-as incansavelmente, numa espiral de tortura, espicaçando a alma até fazer sangue. Incapaz de resolver as suas angústias, vive o tormento de ter de si uma imagem distorcida, sente-se um homem acabado, melhor ainda, um merdoso de merda, julgando-se indigno da sua própria mulher.


domingo, 15 de Novembro de 2009

Dois pontos de vista divergentes, mas convergindo

António Lobo Antunes: homem ou escritor? Naturalmente ambos.
Foto: Região Sul


É domingo e chove. Por isso me dei à paciência e ao tempo (escassos ambos) para ir lendo na blogosfera algumas opiniões sobre o escritor que neste blogue nos referimos.

Uma primeira opinião, de uma ainda-não-leitora que toca em algumas partes importantes sobre a interpretação do homem que é António Lobo Antunes, anotando uma peculiar característica dos portugueses.

A segunda opinião, de José António Barreiros, este leitor do escritor mas mal encarado com o homem, e que dá o exemplo (o braço a torcer?) que muitos deviam seguir: não confundir a obra com o escritor. Estas palavras são minhas, mas depois de lerem o seu depoimento compreenderão porque o digo assim.

Duas opiniões à partida divergentes, mas que convergem na essência: António Lobo Antunes é um homem e um escritor que, quer se queira quer não, é uma das maiores personalidades do nosso tempo.

1. Não gostar de António Lobo Antunes. Blogue Random Thoughts, autoria: Madrigal, 15.10.2009

"Há uns anos vi uma entrevista com o António Lobo Antunes e fiquei absolutamente fascinada por ele, tanto que fui comprando os seus livros e até fui a uma sessão de autógrafos no já distante ano de 2004. Antes da sessão propriamente dita, o Lobo Antunes falou e respondeu a algumas perguntas, fiquei ainda mais fascinada e de sorriso nos lábios, quando ele ao autografar os livros não o fazia de uma forma mecânica e sim demorada, olhando os livros, com certeza devia de querer apreciar as capas já que eram edições e livros diferentes.

Contudo até à data ainda não li nada, vou adiando de dia para dia, de mês para mês, de ano para ano... No fundo porque tenho receio de me desiludir, é um bocado como estar apaixonada por um amigo e temer perder essa amizade por o amor não ser correspondido.

Em blogs, foruns encontro muitas acusações a Lobo Antunes, que é arrogante, convencido, vaidoso e todas aquelas coisas simpáticas que se dizem de alguém de quem não se gosta.

Além disso existem ainda acusações que ditam que os livros dele não prestam, alguns ainda reconhecem o mérito de um ou outro livro, mas se Lobo Antunes se tivesse dedicado à psiquiatria é que tinha feito um bem à sociedade.

Reconheço que nós, seres humanos, na nossa diversidade gostamos de coisas diferentes e se eu deliro a ouvir o grupo X, isso não significa que o meu vizinho também goste. Mas no caso do Lobo Antunes tanta má língua, tantas acusações faz-me pensar noutra coisa: a famosa dor de cotovelo que tanta gente parece sofrer.

Possivelmente, e aqui baseio-me em opiniões que já li, a escrita de Lobo Antunes, não será muito fácil e logo exigirá um esforço maior, não será concerteza o indicado para a ler no comboio, no percurso casa - escola ou trabalho. Daí uma primeira tentativa resultará em frustação e ao inevitável abandono do livro. Isto até podia ser verdade para um outro autor, mas lembrem-se que estamos a falar de Lobo Antunes cuja a fama de ser arrogante o procede e é português. Todos sabemos que encontramos mais facilmente pessoas que leram a obra toda de um qualquer escritor estrangeiro a terem lido sequer um livro de um escritor português. Assim, está em causa um certa arrogância por parte do leitor e um certo embarasso em admitir uma verdade simples: não consigo entender este gajo, bem podia ter ido plantar batatas a escrever livros. É por isso que acho que no fundo existe aqui uma dor de cotovelo, eu não consigo gostar então o problema não está em mim mas nele e a isso acrescenta-se o velho adágio, é português, não presta, etc, etc.

Acredito que não há melhor qualidade do que admitir que não somos capazes, mas infelizmente os portugueses não são assim. Em vez de admitirem as suas limitações gostam é de atirar pedras..."


2. Que Cavalos São Aqueles..., de António Lobo Antunes. Blogue António Rebelo da Silva, autoria: José António Barreiros, Outubro de 2009

"Violento-me para ser justo, porque o acho detestável de tão vaidoso, voyeur do seu próprio exibicionismo, a tentar seduzir pela decadência e a consegui-lo, mas, admito, a sua escrita é admirável, mesmo quando é o leitor a construir, lendo, o que ele não escreveu mas sabe-o e intromete-se na própria escrita para confessá-lo e nisso é sério porque não tem ilusões quanto ao que anda a fazer da nossa paciência e diz «eis o António Lobo Antunes a saltar frases não logrando acompanhar-me».

Comecei esta manhã a ler Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?e julgava que era o último livro dele até me assustar ao ver que tinha menção a que era a 4ª edição, mas depois compreendi que ele edita muito ou a editora chama nova edição ao que é uma reimpressão e manda reimprimir muitas vezes para parecerem mais as edições e já estou a dizer mal por não gostar dele, «a detestá-lo por me desarrumar o passado» mas tenho de ser justo mesmo que me violente.

E é, dizia, uma escrita admirável, em que o edifício das palavras e das frases e dos períodos e dos parágrafos implodiu e o leitor caminha, semi-cego pela poeira «poeira que demorava a cair ocultando-nos de nós mesmos e ao ocultar-nos de nós mesmos não éramos», em que entre os escombros verbais e o desabar gramatical surgem, densos e a escorrer, os sentimentos e as recordações a ensarilharem-se na leitura e um mundo que já foi de «escadas dos cartórios quase tão gastas como a minha mãe», e há uma mãe que morre e um notário para os ossos da família roídos e nele «uma empregada de aliança, mas viúva no coração».

A frase «cavalos fazendo sombra no mar» vem na página 19 e daí o título do livro e eu vou na página 46, parei agora para tomar fôlego, entre toiros «farejando a própria urina e as próprias fezes não as reconhecendo, farejando o próprio cheiro e investindo contra si mesmo porque o cheiro mudara» e vim aqui escrever o que estou a sentir.

Deus te perdoe a arrogância, mesmo que sejas neste livro o Francisco, irmão da Beatriz, António Lobo Antunes que eu lerei tudo quanto escreveste, e escreveste já muito, lerei juro se tiver tempo mas falta-me tempo ante tanta escrita - e ainda há os outros, que também há outros escritores - e «tanta angústia nos relógios, tanta vontade de alcançar o tempo», mas angustiado embora, lerei."


quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Na Livraria Barata, via Papéis do Mundo



citado do blogue Papéis do Mundo:

«A Papéis do Mundo-Revista de Cultura conversou no último sábado, dia 7 de Novembro, com António Lobo Antunes, durante uma sessão de autógrafos do escritor na Livraria Barata, em Lisboa.
O último livro de António Lobo Antunes, Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?, editado em Outubro pela Dom Quixote, bem como a vasta obra do escritor, serão objecto de um trabalho aprofundado numa das próximas edições da Papéis do Mundo-Revista de Cultura

Veja mais fotos deste encontro no blogue da Papéis do Mundo.

A Papéis do Mundo-Revista de Cultura é uma nova publicação com periodicidade mensal (já vai na quarta edição), «dedicada à literatura em particular e às artes em geral» - ler mais sobre esta nova publicação aqui.

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Denis Araki: opinião de leitura sobre Os Cus de Judas


edição Objetiva, Brasil


O mais recente artigo sobre Os Cus de Judas publicado no site, da autoria de Denis Araki, citado de Homem Nerd.

«Os Cus de Judas, livro de 1979 que compõe a primeira trilogia do autor (os outros livros são Memória de Elefante e Conhecimento do Inferno), a que ele considera de aprendizagem, aborda os efeitos da guerra. A guerra em questão é a da libertação de Angola e seu resultado na figura de um médico enviado para o combate. Narrado em primeira pessoa, o médico passa uma madrugada até o amanhecer com uma mulher, começando em um bar e depois em sua casa. Nesse período ele conta sua história, entremeada com reflexões. O tempo é demarcado pela simulação de diálogo com a mulher, que não exprime uma palavra no romance


domingo, 8 de Novembro de 2009

Para ler, ouvir e...ficar embalado.

Não sei porque António Lobo Antunes tem «inveja» dos poetas. É certo que pode ter escrito muito mal na sua juventude (quem nunca o fez?, e continua a fazê-lo julgando-se... adiante), mas se repararmos bem em algumas canções que escreveu para o Vitorino (as que foram editadas no álbum Eu que me comovo por tudo e por nada, de 1992 - a imagem ao lado é da capa do álbum), como esta que a seguir apresento, acho que não há grande razão para invejas... Claro que estamos a falar de letras feitas propositadamente para canções, escritas num momento, como o próprio já afirmou, em toalhas do restaurante onde os amigos se reúnem às quintas-feiras para almoçar. E se ele resolvesse escrever poesia mais "a sério"? O que sairia, vindo de António Lobo Antunes? Ou será que a sua inveja dos poetas é não conseguir mais do que estas canções? Ainda assim, atentai na riqueza destas duas quadras, e oiçam embalados na música com que Vitorino vestiu este poema:

Ana
(fox-trot nº 3)


(prima no play para ouvir)

O mar não é tão fundo que me tire a vida
nem há tão larga rua que me leve a morte
sabe-me a boca ao sal da despedida
meu lenço de gaivota ao vento norte

meus lábios de água meu limão de amor
meu corpo de pinhal à ventania
meu cedro à lua minha acácia em flor
minha laranja a arder na noite fria.

Patrícia Camargo: Ascensão e queda: a questão da traição na obra O Manual dos Inquisidores



O mais recente artigo sobre O Manual dos Inquisidores publicado no site, da autoria de Patrícia Camargo, citado do site da Revista Critério (Brasil).

«Os personagens ao longo da trama procuram relatar suas imagens mentais rememorando o tempo passado e mesclando os vários momentos de suas vidas, tanto em relação aos momentos de ascensão como os de queda em relação ao poder, criando assim imagens sobrepostas que formam uma estrutura caledoscópica. Nessa teia de discursos que ao longo da trama se adensam cada vez mais, podemos elaborar um número vasto de análises partindo dos relatos de qualquer um desses personagens. Uma possível leitura da obra é aquela que se refere à questão da traição ao poder, ficando bastante evidenciada em relação aos relatos referentes à personagem Isabel e dos relatos que fazem referencia ao caso do General Humberto Delgado.


sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Como seriam os livros que António nunca publicou?

É mais ou menos, por palavras minhas, o que Patti questiona num longo post muito bem feito com imensas citações de entrevistas e do livro Cartas da Guerra, e mais fotos (da sua autoria), no seu blogue ares da minha graça.

Deixo aqui um excerto e depois vão lá ler, que vale a pena.

na Feira do Livro em 2009, uma bela foto de Patti

«Querido António,

Ainda não lhe tinha dito e se calhar nem vai ficar nada satisfeito de saber, pois o António diz sempre que o seu melhor livro é o último que escreveu e já vi, que nem vale a pena tentar falar consigo da sua literatura anterior, pois não faz caso algum de nós. Ainda com a agravante de repetidamente nos dizer, que já nada tem daquele homem dos primeiros livros. Mas mesmo assim, eu gostava tanto, mas tanto de ter lido o livro que o António escrevia durante os anos que esteve em África e que provavelmente deve ter destruído...

O livro a que deu o nome de Voo



quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Devemos fazer tudo o mais simplesmente possível mas não mais simplesmente do que isso

Crónica de 5 de Novembro, na Visão

Ontem acabei de corrigir uma porção de crónicas para fazer um livrinho, textos de há quatro ou cinco anos para cá, de que não me lembrava. De um ou outro talvez, mas uma memória confusa, e apercebi-me que a minha relação com estas aguarelazitas se aparenta à de alguém que faz desenhos meio distraídos na margem do papel, enquanto pensa noutra coisa. Como estou sempre a pensar noutra coisa talvez fosse preferível dizer desenhos meio distraídos na margem do papel enquanto pensa noutra coisa de outra coisa. E lá foram, para a editora, esses bonecos, esses riscos a que não consigo dar importância, esboços, fantasias, palavrinhas, pequeninos nadas.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Falemos de alguns números

As estatísticas e os contadores gratuitos são o que são e valem o que valem. No entanto, e a título de curiosidade, deixo-vos com alguns números sobre os hits do site.

O mês passado de Outubro atingiu novo recorde em hits - o que se tem verificado ao longo destes cinco anos em alturas da saída de um novo livro de António Lobo Antunes -, de cerca de 5200 também em Outubro de 2008 para 7594. O recorde não se verificou apenas nos hits mensais, o semanal também foi ultrapassado, de cerca de 1750 na terceira semana de Outubro de 2008 para 2833 na semana 43 de 2009 (coincidiu com a semana de apresentação de Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?). O dia mais alto quase duplicou: de 450 em meados de Abril deste ano para 757 no dia 23 de Outubro.

Até ao momento, e desde 03.12.2006, data em que o site mudou do domínio Sapo para nletras, foram alcançados 110724 hits. Juntando os anteriores 18345 (referentes ao período de Agosto de 2004 a Dezembro de 2006 do domínio Sapo) concretizamos os 129069 hits. A maior parte vem dos motores de busca, principalmente do Google, o que significa que o site está bem referenciado, tornando maior a nossa responsabilidade em oferecer a melhor informação aos visitantes que procuram António Lobo Antunes na Rede.

Apesar de termos 39,64% dos visitantes oriundos de domínios desconhecidos, 46.95% são do domínio .pt (Portugal), seguindo na terceira posição o domínio .br (Brasil) com 13.41%. Embora a lista de países de onde são oriundos os visitantes seja bastante extensa, por continente as visitas distribuem-se da seguinte maneira:

Europa: 51.24%
Américas: 14.01%
África: 0.10%
Ásia: 0.07%
Oceânia: 0.03%
desconhecido: 34.51%

Feitas a contas, temos em média: 104 hits por dia, 724 por semana e 3076 por mês.

Este blogue, porque começou em Agosto deste ano, não temos dados para comparar. Atingiu-se até ao momento cerca 6530 hits, o que me parece bem.

Pessoalmente leio estes números com grande optimismo, uma vez que me parece compensar o trabalho que é manter sempre actualizado o site António Lobo Antunes. Fica o apontamento, para quem interessar...


segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Maria Celeste Pereira: opinião sobre Que Cavalos São Aqueles...



O mais recente artigo de opinião publicado no site sobre o livro Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?, da autoria da nossa colaboradora Maria Celeste Pereira (Donagata).

«Devo dizer que estava com uma curiosidade extrema e uma impaciência em relação à leitura deste romance do autor que não me lembro de ter tido com nenhum outro. Devido, sem dúvida, a algumas das afirmações feitas pelo autor nas entrevistas que deu; a algumas críticas que fui lendo entretanto e, sobretudo pelo misto de vontade e de receio que tinha em verificar se seria desta que o autor me iria desiludir... Nem um pouco! Devo dizer que foi dos seus livros (dos que li, claro), se não o que mais apreciei, sem dúvida ficará no topo juntamente com o que li anteriormente [...]»



Sessões de autógrafos, encontros e apresentações: calendário para Novembro 2009

Para os interessados: calendário das datas e locais dos eventos com António Lobo Antunes para o mês de Novembro 2009.

  • 7 de Novembro (sábado): Livraria Barata, em Lisboa, às 17H00 P
  • 14 de Novembro (sábado): Livraria Galileu, em Cascais, às 17H00 P
  • 21 de Novembro (sábado): Casino da Figueira, na Figueira da Foz, às 20H30 - entrega do Prémio Pedro Hispano 2009 P
  • 26 de Novembro (quinta-feira): Livraria 107- Centro Cultural e de Congressos, nas Caldas da Rainha, às 21H30
  • 27 de Novembro (sexta-feira): Fnac Chiado, em Lisboa, às 19H30
  • 28 de Novembro (sábado): Casino da Figueira, na Figueira da Foz, às 18H30

Em vésperas e até ao dia de cada evento, colocaremos um lembrete no blogue (no menu à direita) e no site (página entrada).

Agradecemos a José Francisco Feição, das Publicações Dom Quixote, pela informação prestada.

domingo, 1 de Novembro de 2009

Helder Sousa: opinião sobre Que Cavalos São Aqueles...



O mais recente artigo de opinião publicado no site sobre o livro Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?, da autoria de Helder Sousa, no seu blogue deixa para amanhã.

«Este novo livro retrata uma família em decadência, proprietária de uma quinta no Ribatejo onde se criam cavalos. Assim se pode resumir este livro que segundo as palavras do autor “queria fazer um romance à maneira clássica, que destruísse todos os romances feitos desse modo”. Se destrói ou não, parece-me um pouco prematuro dizer, mas podemos afirmar ser um clássico, se tivermos em conta a sua obra literária. Logo nas primeiras páginas podemos perceber que as personagens não nomeadas, facto que ajuda a leitura e compreensão da narrativa.»



sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Mário Crespo entrevista António Lobo Antunes - SIC Notícias



Foi ontem, no Jornal das 9 da SIC Notícias: Mário Crespo entrevistou António Lobo Antunes a propósito de Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?. Também disponível no nosso site. Convido os visitantes a comentar esta entrevista.


Reveja as duas entrevistas anteriores com Mário Crespo e António Lobo Antunes:



(este post foi originalmente publicado ontem com o anúncio do programa e re-editado hoje às às 10:46)